Priscila Senna é condenada por propaganda antecipada por citar João Campos em show e usar frase ‘já ganhou’

A cantora Priscila Senna foi condenada por campanha antecipada ao mencionar o prefeito do Recife, João Campos (PSB), que é candidato à reeleição, e usar a expressão “já ganhou” durante o show que ela fez na praça do Marco Zero no carnaval .
A decisão da juíza Nicole de Faria Neves, da 4ª Zona Eleitoral do Recife, determinou que a cantora pague uma multa de R$ 5 mil. A artista ainda pode recorrer ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Priscila Senna se apresentou no Marco Zero na noite do dia 9 de fevereiro. Em um determinado momento, ainda no início do show, alguém anunciou a presença do prefeito no sistema de som: “Óia o prefeito tá aí na frente, ví. De camisa amarela, óh” (sic).
Em seguida a cantora reagiu com a seguinte frase: “- Alô, João Campos, meu prefeito, nevou. Gostei! Já ganhou, já ganhou!”.
O Ministério Público Eleitoral entendeu que a frase era um “pedido explícito de votos” e que a cantora “se utilizou das festividades patrocinadas com recursos públicos municipais para promover eleitoralmente o pré-candidato”. No processo, a artista argumentou que não tinha a intenção de vincular a expressão a qualquer pessoa. Ela alegou que sua intenção era dizer que o Recife havia ganho como o melhor Carnaval do Brasil, “pois a festa estava linda e o prefeito sempre falava em entrevistas que iria fazer o melhor carnaval do país”.
A defesa da cantora também disse, no processo, que não pode haver censura à fala de artistas e que o tema das eleições não estava presente na cabeça da população durante o período carnavalesco.
A juíza entendeu, porém, que, pelo contexto e pela presença de João Campos, Priscila Senna “conclamou seu público a votar no atual prefeito, candidato à reeleição, em um período não permitido pela legislação eleitoral”.
A magistrada também entendeu que, pelo potencial de divulgação em massa do evento, a demonstração de apoio político da artista “violou de forma nítida o princípio da igualdade de oportunidades entre os concorrentes”.
Na representação, o promotor Édipo Soares Cavalcante Filho não viu provas de que João Campos tenha abusado do poder político, por não haver nenhum elemento que demonstrasse que o prefeito tinha conhecimento prévio ou havia combinado a declaração com a cantora.
